br037_Cidade para crianças

2017

O projeto Cidade para Crianças surgiu de uma necessidade de Ursula Troncoso, arquiteta e urbanista,  e uma das coordenadoras do eixo Educação Urbana do Instituto A Cidade Precisa de Você, de conversar sobre linguagem espacial com crianças, por acreditar que a aprendizagem espacial é necessária para compreender o ambiente em que todos nós estamos inseridos.

Entendendo que o espaço ensina, diretamente, sem mediação. Poder compreender o espaço a nossa volta é uma poderosa ferramenta para transformar o que não nos serve e aproveitar o que há de bom.

 

Texto sobre a oficina Casa dos Sonhos feita com crianças de 6 a 12 anos da Associação Novolhar na Vila Itororó Canteiro Aberto, no bairro do Bixiga, parceria com Casacadabra:

 

“O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora.”

Mia Couto.

 

Qual a primeira medida do espaço? Qual o primeiro lugar do afeto? A casa! Um recorte no cosmos, onde nos acolhemos. A casa entendida como conceito. Grande ou pequena, móvel ou fixa.

 

Primeiro fomos ao desenho, expressão muito imediata. Pedimos que desenhassem “uma casa”. Queríamos saber, ver. Que casa estava na mente daqueles pequenos?

Veio a confirmação de uma suspeita. Uma casa com telhado, duas águas, uma chaminé soltando bolinhas ondulantes de fumaça. Uma floreira na frente.

Essa representação mostra o quão distantes estão as crianças de uma reflexão sobre lugar onde moram. Elas estão tranquilas em representar a casa como algo que não lhes é próximo, ou mesmo real.

 

Segunda atividade. Vamos desenhar a “sua casa”.

Na maioria dos casos, vimos surgir edifícios. O telhado triangular foi embora, entrou a linha reta da laje, a fumacinha da lareira desapareceu, junto com a floreira. Uma multiplicação de janelinhas veio nos contar que mais gente mora ali. Estamos em São Paulo, no centro da cidade, e a maioria mora em edifícios.

 

Depois dessas atividades, e do reconhecimento dessa perspectiva espacial, podemos soltar a imaginação. E se pudéssemos pensar uma casa, qualquer casa? E se pudéssemos imaginar onde gostaríamos de morar, como seria esse espaço?

Dessa vez, a representação foi tridimensional, utilizando material reciclado que trouxeram de casa: caixas, papéis e cola. Uma força de produção imediata, mão na massa. O engajamento na atividade, que acabou sendo uma mistura de onde a imaginação podia ir e a dificuldade inerente de trabalhar com os materiais.

 

Fim da terceira atividade e todos puderam ver os resultados, seus e do seus colegas. Alguns querem explicar o que fizeram, outros querem apenas olhar. Por alguns instantes, pudemos vislumbrar um conjunto. Um conjunto de coisas, desejos, erros, construções. A mesma matéria que compõe as cidades. 

 

Como as crianças percebem a cidade e o entorno onde estão inseridas? O objetivo da oficina é reconectar as crianças com seu entorno urbano, para que elas possam conhecer sua história e apreciar sua paisagem. A ideia é que comecem, desde cedo, a desenvolver seu olhar para as questões urbanas para poder entender os problemas e desafios. A atividade acontece em dois módulos, que ocorrem no mesmo dia: Expedição e Exposição. 

 

NO DIA 1O/12/2017 vai acontecer uma expedição formada por uma conversa sobre a história do bairro e pontos importantes que serão visitados; criação coletiva do mapa que orientará a expedição fotográfica com o objetivo de localizar os participantes dentro da trama urbana; saída para expedição fotográfica, com câmeras ou celulares a serem trazidos pelos participantes. Saiba mais aqui

 

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